Entre Ruínas e Renascimentos (escritos de um amigo)

Um Presente em Forma de Palavras

Hoje, decidi dar vida a este espaço que andava esquecido. A verdade é que tenho vivido dias corridos, sem tempo, sem ânimo e sem criatividade para escrever. Mas a vida, às vezes, nos surpreende com pessoas incríveis — e uma delas me presenteou com um texto forte, intenso e cheio de significado.

Ele fala sobre caminhos, tempestades, fé e a força que nasce quando tudo parece ruir. É um daqueles escritos que nos fazem parar, respirar fundo e lembrar que, mesmo nos dias mais sombrios, existe uma chama que insiste em permanecer acesa dentro de nós.

Por isso, estou aqui, não com palavras minhas, mas com palavras que merecem ser compartilhadas. Que elas encontrem você onde for preciso, e que tragam luz para os seus próprios caminhos.

“Quando olho pelo retrovisor da vida,
não vejo apenas caminhos.
Vejo versões minhas que ficaram pelo acostamento,
homens que eu fui
e que não sobreviveram à travessia.

Foram estradas duras, sinuosas,
dessas que a gente percorre sangrando por dentro
e sorrindo por fora
pra ninguém perceber o quanto custa continuar.

Houve tempestades.
Não metáforas, tempestades reais.
Daquelas que arrancam o chão da fé
e te obrigam a rezar sem saber para quem,
apenas para que o mundo
não desapareça enquanto tu ainda está nele.

Cresci solto demais.
Livre demais.
Ou talvez perdido demais.
Chamei de rebeldia
o que na verdade era um pedido mudo de socorro.

Duelei com o mundo
como quem duela com o próprio espelho.
Lutei contra sentimentos sem nome,
e quando não consegui vencê-los,
tentei apagá-los com dor.
Como se ferir o corpo
fosse capaz de silenciar o furacão
que morava no peito.

Eu só queria paz.
E a paz, quando finalmente veio,
me encarou com uma verdade cortante:
eu não estava onde sonhei chegar…
mas estava infinitamente mais longe
do menino que um dia pensou em desistir
.

Descobri, quase sem querer,
que minha força tinha nome: espiritualidade.
E isso me assustou.
Eu, que duvidei de Deus.
Eu, que duvidei de mim.
Eu, que quase acreditei
que não existia propósito algum.

Hoje entendo:
a fé nunca me abandonou.
Ela apenas me atravessou em silêncio,
me sustentando nos dias
em que eu achava que estava sozinho.

Questionei Deus.
Gritei.
Me revoltei com a bagunça que Ele permitiu.
Os porquês ficaram sem resposta
e talvez precisassem ficar.

Porque há dores
que não vêm para ser explicadas.
Vêm para nos ampliar.

A vida é isso:
ver tudo ruir,
sentir o medo gelar a espinha,
e ainda assim…
lá no fundo,
uma chama pequena insistindo em ficar acesa.

E quando a gente acredita
de verdade

não reconstrói o que caiu.

Se torna alguém
capaz de suportar qualquer tempestade
sem perder a alma.”