Hoje eu me senti frustrada
Com a alma cansada, a mente pesada.
Tirei quinze minutos pra chorar,
Me culpar, me cobrar, me julgar.
Depois comi um doce, respirei,
Levantei, fui treinar, recomecei.
A vida é feita de instantes,
De gatilhos, de dores constantes.
São memórias que vêm sem aviso,
Recalcadas, escondidas no juízo.
Elas surgem na hora errada,
E hoje, mais uma vez, fui derrubada.
Revi escolhas, expectativas demais,
Percebi que o erro é sempre meu, jamais dos outros, jamais.
É sobre o que espero, o que projeto,
Sobre o que quero e não detecto.
“Quando Pedro fala de Paulo”, dizia Freud com razão,
“Sei mais de Pedro do que de Paulo”, pura observação.
Nunca é o outro, é o que em mim ecoa,
O que me fere, me assusta, me magoa.
Com o tempo, dizem, vem a maturidade,
Mas será que vem mesmo, ou é só vaidade?
Maturidade é escolha, não é idade,
Autoconhecimento é pura necessidade.
É preciso saber quem somos, de verdade,
Pra lidar com o que fizeram da nossa identidade.
Pra calar o inconsciente que insiste em gritar,
Pra negociar com a ansiedade que vive a nos sabotar.
Não é fácil, não é leve, não é simples de lidar,
Mas escrever me ajuda, é meu jeito de respirar.
É minha terapia, meu grito no papel,
Minha forma de ser humana, de sair do meu quartel.
Hoje me senti frustrada, decepcionada comigo,
Por sonhar alto e duvidar do abrigo.
Por esperar do mundo reciprocidade,
E esquecer de mim, da minha verdade.
Me senti cansada da minha intensidade,
Da rigidez, do perfeccionismo, da ansiedade.
Me senti chata, cheia de porquês,
Questionando tudo, sem talvez.
Cada escolha é uma renúncia, uma consequência,
Ser adulta é ter essa consciência.
A frustração tem o tamanho da expectativa,
E a vida, ah… a vida é sempre reflexiva.
Mas amanhã, quem sabe, eu me sinta melhor,
Mais leve, mais forte, com menos temor.
E se não for amanhã, tudo bem também,
Porque sentir é humano — e isso me faz bem.