Seguindo a linha aleatória dos posts deste blog — como eu sempre digo, ele é o espaço onde coloco pra fora o que me consome por dentro — hoje decidi me descrever de forma realista e honesta.
Quem me conhece sabe: entre ter razão e ser feliz, eu sempre escolhi estar certa. E não escondo isso. Inclusive, tenho até uma frase que repito com orgulho quando estou com a razão: “Vivi pra viver esse momento.”
Mas ultimamente, tenho enfrentado batalhas nas quais, mesmo acreditando estar certa, estou perdendo coisas que não sei lidar. E isso me fez parar e refletir: será que, nesse caso, vale a pena provar que estou certa? A resposta é não. Neste momento, tudo o que eu quero é paz. Quero ser feliz. E é por isso que decidi escrever sobre isso.
O poeta maranhense Ferreira Gullar disse:
“Não quero ter razão, quero ser feliz.”
Essa frase, conhecida no mundo todo, traz uma reflexão poderosa: vale mais a pena discutir para provar um ponto ou simplesmente deixar pra lá e preservar a paz?
Sempre fui do time que argumenta até o fim. Mas sei que a sociedade não vê com bons olhos quem insiste em ter razão — isso soa arrogante, egocêntrico. Também entendo que não dá pra ter tudo na vida, e que nem sempre nossas vontades precisam ser atendidas. Viver tentando impor o que queremos é viver em constante conflito. E, sejamos sinceros, é quase impossível sair de uma discussão com tudo: razão, vontade feita e felicidade.
Tenho plena consciência de que preciso dar às coisas apenas a importância que elas realmente têm. Sou do tipo que se apega a detalhes e transforma pequenas coisas em grandes discussões. Isso é destrutivo — pra mim, pra quem convive comigo e, principalmente, pra minha saúde mental.
Preciso aprender a me perguntar, antes de entrar numa briga: isso realmente vale a pena?
Se for essencial para minha felicidade, tudo bem, sigo em frente. Mas se não for, é hora de repensar.
E quando a batalha for inevitável, preciso aprender a ser menos agressiva, menos ofensiva, a falar mais baixo. Discutir não é brigar. É apresentar um ponto de vista. E se o outro não concordar, tudo bem. Divergências existem e precisam ser respeitadas.
Até aqui, falei sobre uma autoanálise. Agora, quero falar sobre o próximo passo: a mudança.
Colocar tudo isso em prática é o verdadeiro desafio. Mudar é difícil, especialmente para quem tem uma personalidade forte como a minha. Mas chega um momento em que não temos mais escolha: ou mudamos, ou ficamos pra trás.
Já falei em outros textos sobre a armadura que carrego, sobre o medo de me mostrar vulnerável. Essa necessidade de discutir, de argumentar, vem disso. Estou sempre na defensiva. Não por falta de humildade, nem por maldade. Mas porque tenho uma história, vivências, medos. E, pra me manter de pé, firme, tive que me tornar essa pessoa. E a gente sabe: é quase impossível amolecer alguém que foi endurecido pela vida.
Mas hoje eu sei que quero tentar. Quero ser mais flexível, mais ouvinte, mais empática. Sei o que quero e estou disposta a fazer o que for preciso para evoluir — um passo de cada vez. Abandonar velhos hábitos é uma luta diária. E vai ter dia em que eu vou recuar, vou querer desistir. Mas nesses dias, vou voltar aqui, reler este texto, respirar fundo, me perdoar e continuar de onde parei.
Guria que legal que tu liberou os comentários. Sempre leio teus textos.
Texto top. Parabéns pela coragem.