Por que um blog e não o Instagram?

Quando publiquei meu primeiro texto aqui no blog, muita gente me perguntou: “Por que um blog e não uma página no Instagram?”. E eu respondi que tinha algumas questões com o Instagram — e que, em algum momento, escreveria sobre isso.

Eu sei, eu sei… prometi que o próximo texto seria sobre cargos e salários. Mas quem acompanha já sabe: meu blog é aleatório, segue o fluxo dos meus pensamentos. E hoje, quero compartilhar uma frase do Peter Handke que me tocou profundamente:

“Daquilo que as pessoas não sabem sobre mim, disso eu vivo.”

Essa frase me fez refletir sobre o Instagram — e, mais amplamente, sobre as redes sociais. Porque, de fato, vivemos daquilo que os outros não sabem. Nossa história, nossa rotina, nossas dores e alegrias… só nós vivemos. E, ainda assim, é curioso como pessoas que convivem conosco diariamente — no trabalho, por exemplo — acreditam saber muito sobre a nossa vida. E nós, ingenuamente, achamos que sabemos muito sobre a vida dos outros também.

Mas será que sabemos mesmo?

Nem as pessoas mais próximas conhecem a fundo como vivemos. E aí surge a pergunta: se não sabemos da vida do outro, por que julgamos? Por que opinamos com tanta certeza sobre escolhas que não são nossas?

E é aí que a frase do Handke ganha ainda mais força. Existe uma beleza em viver aquilo que ninguém vê. Porque ninguém precisa saber como estou conduzindo minha vida. Acredite: quanto menos souberem dos seus planos, mais leve e bem-sucedido você será.

Relacionamentos verdadeiros não se medem apenas pelo apoio nas dificuldades. Os verdadeiros amigos, parceiros e familiares são aqueles que celebram suas vitórias sem inveja, que torcem por você sem esperar algo em troca. Apoiar quem está por baixo é fácil. Difícil é aplaudir o sucesso alheio com o coração limpo.

Hoje, com as redes sociais, há uma tendência de escancarar a vida. Mas nem a maior influenciadora digital do mundo mostra tudo. E é um erro comparar nossa vida real com os recortes perfeitos dos stories. A gente posta o namoro feliz, a maquiagem impecável, o prato fitness, o treino na academia, o pôr do sol na praia… e fica ali, esperando curtidas, reações, validação.

Mas não mostramos os dias difíceis, as crises emocionais, os conflitos cotidianos. Porque a vida real, essa que é instável e imperfeita, nem sempre rende likes.

Esse texto não é uma crítica ao Instagram. Pelo contrário: acho uma ferramenta incrível para vendas, networking e até uso para divulgar este blog e meus serviços. Também posto minha vida “incrível” — com pouca frequência, é verdade. Porque acredito que o excesso muitas vezes revela uma falta. O problema não está em ter uma conta, mas em como e por que a usamos.

Minha intenção aqui é propor uma reflexão: como você se sente em relação a isso?

Pra fechar, deixo uma dica de leitura que complementa essa conversa: um texto sobre a modernidade líquida, conceito do sociólogo Zygmunt Bauman, que nos ajuda a entender esse mundo de relações frágeis e aparências constantes:

🔗 Modernidade Líquida – Mundo Educação