Nietzsche dizia que “o que se faz por amor está sempre além do bem e do mal” — e também que existe sempre um pouco de loucura no amor, e um pouco de razão nessa loucura. Para ele, amar é aceitar o outro em sua totalidade, diferenças incluídas. É nesse espírito que começo este texto.
O amor… ah, o amor! Esse tema tão explorado por poetas, músicos e por qualquer pessoa que já acreditou, mesmo que por um instante, ter vivido algo arrebatador. Falar de amor romântico é mergulhar num sentimento difícil de definir, mas fácil de reconhecer: um vínculo emocional profundo, feito de apego, atração e atenção. No início de um relacionamento, tudo é intensidade — euforia, energia, aquela sensação boa de “não caber em si”.
A ciência explica parte desse encantamento: o amor aciona áreas do cérebro ligadas à recompensa, reduz ansiedade e aumenta confiança. Hormônios como a oxitocina entram em cena, fortalecendo o vínculo e dando aquela sensação de bem-estar que todos nós já sentimos, ou desejamos sentir.
Mas então surge a pergunta inevitável: por que amamos alguém? Amar é uma escolha?
Crescemos com idealizações — da vida perfeita, da carreira perfeita e, claro, da pessoa “perfeita”. A aparência é geralmente o primeiro filtro. Quando alguém corresponde a esse ideal, nasce a atração. Se for recíproco, surge a paixão, vibrante e arrebatadora.
Com o tempo, no entanto, a paixão acalma e dá espaço ao amor — e é aí que a realidade se apresenta. A pessoa idealizada não existe. Aparecem os defeitos, os hábitos que irritam, os conflitos inevitáveis. É nesse momento que amar deixa de ser impulso e se torna decisão consciente: continuar ou não continuar. É quando descobrimos se aquilo era apenas desejo ou uma conexão mais profunda.
Quando falamos de amor, pensamos no coração — símbolo perfeito, mas também metáfora de algo vital. Para mim, amar é mais do que sentir: é escolher. É observar, aprender, desapegar-se de velhos padrões e construir uma história real com alguém real. É acolher os “defeitos de fábrica” do outro (e os nossos), talvez até com um certo carinho.
E amar alguém novo é também um ato de coragem. É permitir-se recomeçar, deixar para trás os fantasmas do passado e abraçar a possibilidade de felicidade — com seus bônus e seus ônus. É maturidade emocional e, ao mesmo tempo, um salto no escuro.
Freud dizia que o amor cura, mas também enlouquece — e que, de algum modo, precisamos amar para permanecer íntegros. Contraditório e lindo. Freud sabia o que era amar: sua história com Martha Bernays é marcada por devoção, troca e um afeto duradouro. Em suas cartas — das quais sou admiradora — ele expressava como alguém pode se tornar o ponto central dos nossos desejos, escolhas e planos.
E é inspirado por essa profundidade que abri meu ano de 2021 no blog falando sobre amor. O pedido que deixo é simples: escolham amar mais. Dediquem tempo, presença e cuidado à pessoa que vocês escolheram para caminhar junto.
Comecei com Nietzsche e termino com ele:
“Se houver amor em sua vida, isso pode compensar muitas coisas que lhe fazem falta; caso contrário, não importa o que tiver, nunca será o suficiente.”