O título e a inspiração para essa publicação nasceram de um status no WhatsApp que dizia:
“Eu posso ter muitos defeitos, mas nunca deixarei de ser eu. Às vezes posso ser ansiosa, teimosa e medrosa, ou até mesmo indecisa. Em outras vezes, exigente, madura e muito bem decidida. Posso ter meus momentos bons e ruins, mas eu nunca deixarei de ser eu de verdade. Prefiro que você saiba que não estou em um dia bom, do que passar uma imagem de como eu não sou realmente.”
— Larissa Falcão
Me identifiquei profundamente. Sempre fui muito criticada por ser quem sou — muitas vezes vista como arrogante, antipática, estressada ou sincera demais. Mas se me perguntarem se essa visão me incomoda, a resposta é não. Porque eu sou de verdade. Não uso máscaras e não mudo para agradar ninguém, muito menos para me encaixar em padrões. E quem realmente me conhece sabe que há muito mais em mim do que aparenta. Até dizem: “Nossa, você é tão querida!” — e eu dou risada.
Há algum tempo, publiquei nas redes sociais uma visão bastante crítica da sociedade. Falei sobre um mundo de aparências, sentimentos forjados, atitudes forçadas e hipocrisia. Mencionei as amizades líquidas, os elogios vazios e a falta de lealdade. Citei Nelson Rodrigues:
“Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.”
Na época, eu estava tomada por um olhar pessimista — e hoje reconheço que fui extremista. Não estava generalizando, mas expressando uma frustração real. Hoje, me retrato: talvez não sejam os idiotas que dominarão o mundo, mas os alucinados por tendências, os que seguem regras sociais sem se perguntar por quê. Não por burrice, mas por não saberem quem são de verdade.
Quantas vezes você já mudou algo em si para se encaixar? Um corte de cabelo, uma dieta, uma tatuagem da qual se arrependeu? Eu já fiz tudo isso. Aliso meu cabelo porque gosto de me ver assim, não porque é moda. E tudo bem eu não me achar linda de cachos. Ser de verdade não é apenas se aceitar como se é — é se olhar no espelho e amar o que vê, inclusive as atitudes. E, se for preciso mudar, que seja por você.
“Torna-te quem tu és.”
— Friedrich Nietzsche
A questão não é mudar, mas entender por que mudar. Faço isso por mim ou para ser aceita? Estou feliz com a mudança ou apenas tentando me encaixar?
Há uma frase que diz: “Se eu falasse tudo o que penso, nem parente eu teria mais.” E é verdade. Quantas vezes silenciamos por medo da reação do outro? Guardamos sentimentos até explodir, e ainda assim escolhemos ser politicamente corretos. Mas isso não é ser de verdade.
Se fôssemos leais aos nossos sentimentos, também seríamos leais com os sentimentos dos outros. Falaríamos o que sentimos, mesmo que não fosse agradável. Isso evitaria mágoas e frustrações. Mas a verdade é que a maioria das pessoas não está preparada para ouvir a verdade. Amam elogios, mas rejeitam críticas. E, muitas vezes, uma crítica sincera custa uma amizade.
Sobre amizades: o que é ser amigo para você? Para mim, muitas relações são utilitárias. Quando você deixa de ser útil ou desagrada, deixa de ser amigo. E os relacionamentos amorosos? Tão descartáveis. Na primeira briga, pede-se um tempo e parte-se para outra. Como se os momentos vividos deixassem de existir por causa de um conflito.
Falta respeito, lealdade e sinceridade — três palavras que, para mim, são essenciais, mas pouco cultivadas. Até oferecer ajuda virou algo suspeito. Quando faço algo de coração, as pessoas querem me pagar, como se ninguém fizesse nada de graça. E é por isso que admiro minha amiga Tati, que ainda acredita na humanidade.
Sim, esse olhar pode parecer exagerado e pessimista. Mas serve para refletirmos: o que falta para você ser você? Se for preciso mudar o visual ou a atitude, mude. Mas mude por você. Essa vibe de “me aceito como sou” muitas vezes é apenas conformismo. Mudar é fácil. Difícil é sustentar a mudança. E é preciso coragem para ser quem se quer ser de verdade.
“Demore o tempo que for para decidir o que você quer da vida, e depois que decidir, não recue ante nenhum pretexto, porque o mundo tentará te dissuadir.”
— Friedrich Nietzsche
E o questionamento que deixo é: Hoje, só por hoje, você fez e falou tudo o que realmente queria?