A Coragem de Ser Imperfeito: Reflexões Sobre Vulnerabilidade, Controle e Autoconhecimento

Na minha última sessão de terapia, conversamos — eu e minha psicóloga — sobre o escudo que costumo colocar nas minhas relações. Uma forma de autodefesa, construída ao longo do tempo, por medo de me mostrar vulnerável e perder o controle. Ainda o utilizo, às vezes. Mas hoje, com mais consciência.

Existe um livro que me marcou profundamente: A Coragem de Ser Imperfeito, da pesquisadora Brené Brown. Nele, ela compartilha os resultados de mais de uma década de estudos sobre vergonha e vulnerabilidade, ouvindo pessoas comuns — pais, professores, alunos, homens e mulheres — que enfrentam essas questões diariamente. É uma leitura que recomendo com o coração aberto.

Conscientemente, eu acredito que viver é se arriscar, enfrentar incertezas e se expor emocionalmente. E, ao contrário do que muitos pensam, vulnerabilidade não é fraqueza. Para mim, é a mais pura forma de coragem. No entanto, na prática, percebo que ainda luto contra isso. Inconscientemente, evito o novo, fujo do incerto, me escondo atrás do escudo e finjo ter tudo sob controle.

Essa contradição interna é reveladora. O autoconhecimento tem sido libertador. A cada sessão de terapia, um novo insight. E é por isso que ressalto a importância da psicoterapia para quem decide se conhecer de verdade.

Pessoas como eu, que se cobram demais e são pouco flexíveis consigo mesmas, acabam se afastando de experiências que poderiam dar um novo sentido à vida. Quando me fecho para evitar frustrações, também me fecho para o novo. E tudo o que é novo exige mudança — e, portanto, risco.

Hoje, com orgulho, posso dizer que já evoluí muito. Entendi que precisamos conhecer os dois lados da moeda para encontrar o equilíbrio. A vulnerabilidade não é vitória nem derrota — é simplesmente parte da experiência humana. É se permitir viver.

“A vulnerabilidade é o berço da inovação, da criatividade e da mudança.”
— Brené Brown

Não somos perfeitos — a perfeição não existe. Tampouco somos inatingíveis. Viver em busca da perfeição é exaustivo. Perdemos tempo, ignoramos nossos desejos e deixamos passar oportunidades preciosas. Por muito tempo, vivi à margem da estrada, com meu escudo em punho, julgando quem se mostrava, quem se permitia ser visto. Achava que faltava algo em mim.

Mas hoje, compreendo: naquele momento, eu fazia o melhor que podia com os recursos que tinha. E isso basta. Agora, busco evolução, não perfeição.

Este blog é prova disso. Não tenho mais medo de ser vista. Me libertei da opinião alheia, não me comparo mais com ninguém. Aprendi a dizer “não sei”, a assumir erros, a pedir desculpas — e, quando necessário, a pedir ajuda.

O livro também fala sobre a cultura do “nunca ser bom o bastante”. Nunca magro o bastante, bem-sucedido o bastante, inteligente o bastante. Uma cultura que nos empurra para um ideal inalcançável. E, quando sentimos que não estamos “aptos”, nos fechamos, tentando nos tornar perfeitos para sermos aceitos.

Por muito tempo, me martirizei por não seguir esse roteiro social: estudar, casar, ter filhos, ser bem-sucedida. Fiz escolhas fora da caixa — como a decisão de não ter filhos — e fui (e ainda sou) julgada por isso. Mas entendi que minhas escolhas não me tornam melhor nem pior. São apenas minhas. E não preciso me justificar por elas.

“Ser vulnerável é ser corajoso. Ser corajoso é ser imperfeito.”
— Brené Brown

Mostrar vulnerabilidade não é sinal de fraqueza. É sinal de humanidade. Todos temos medos, traumas, crises. Erramos tentando acertar. Somos bons em algumas coisas, nem tanto em outras. E tudo bem. Precisamos aprender a nos perdoar para seguir em frente.

Vergonha e vulnerabilidade caminham juntas. Temos vergonha de mostrar o que sentimos, porque o mundo nos vê como inabaláveis — uma casca que criamos para nos proteger. Mas, por dentro, muitas vezes só queremos sentar, chorar e ouvir: “Está tudo bem. Você não precisa suportar tudo sozinho.”

“Todo mundo é um gênio. Mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará a vida inteira acreditando que é estúpido.”
— Albert Einstein

Acredito que todos somos incríveis à nossa maneira. Somos bons o bastante para quem nos ama de verdade. E isso basta.

E você? A quantas anda a sua coragem de ser imperfeito?