Hoje trago um texto num formato diferente, para falar sobre ações repetidas ao longo dos tempos e que vão, pouco a pouco, se tornando verdades em nossas vidas, ou melhor, na maneira de encarar o mundo que nos cerca, desequilibrando a vida, as escolhas e o modo de perceber o mundo.

Acostumei a silenciar mesmo quando a vontade era gritar aos quatro ventos o que pensava, sentia, o que pulsava em meu ser.

E o silêncio foi se tornando resposta, afirmação, confirmação de tudo aquilo que negava (internamente).

Acostumei a sorrir, mesmo quando contrariada estava.

E o sorriso também foi se tornando resposta, máscara que me protegia de mim mesma e me deixava em conformidade com toda a felicidade que esperavam de mim.

Acostumei a dizer ‘sim’, mesmo quando era o ‘não’ ou o ‘agora não’ que gostaria de dizer.

E cada vez foi ficando mais difícil desagradar os outros. E era esta mesma a palavra que vinha “desagradar”. Pensava que seria muito ruim chatear os outros com a minha negação. E apesar de fazer o que contrariava minha vontade, as pessoas também foram acostumando com meu constante ‘sim’ e fui ficando cada dia mais presa a esta situação.

Acostumei com coisas que me faziam acreditar que eu precisava me encaixar, que eu precisava ser aceita, que eu precisava agradar os outros e que eu precisava muito mais dos outros do que de mim mesma.

E o interessante é pensar que, apesar de tudo o que fiz (e, por vezes, ainda faço), não consegui me encaixar, não consegui agradar totalmente os outros e me via num constante pensamento de que “nunca fazia o suficiente”.

Acostumei a deixar para lá tanto nas pequenas quanto nas grandes batalhas diárias e isso aumentava o meu sorriso, o meu sim e o meu silenciar também.

Acostumei com estas e muitas outras coisas que me fizeram mais insegura, menos feliz e muito mais dependente do outro e da opinião deste outro em minha vida.

(Re)pensar a vida é importante para o autoconhecimento e para a promoção de uma vida muito mais saudável e feliz. E você, prezado leitor, prezada leitora, com o que acostumou e o que seria interessante desautomatizar em sua vida?

Grande abraço,

Grazielle dos S. B. de Jesus

Psicóloga – CRP 05/46825

E-mail: psi.graziellejesus@gmail.com


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