Como você lida com os comportamentos “inadequados” do seu filho?

Falarei hoje sobre regras e limites

Os termos autoridade e autoritarismo são comumente empregados no âmbito do trabalho e têm a ver com o poder de alguém em relação a outras pessoas que são por ele comandados. Autoridade seria mais relacionada a um comandar, a um direcionar e autoritarismo a uma imposição do poder que se tem.

E o que isso tem a ver com a educação dos filhos?

São comuns as perguntas de pais que questionam a forma como determinam as regras e os limites dos filhos. Uma coisa é certa: enquanto pai ou mãe, você é a autoridade. Você possui conhecimentos e uma experiência de vida que seu filho não possui.

Se pensarmos numa grande cozinha industrial, quem assume o controle da mesma indicando o que vai ser feito e como isso ocorrerá: quem ainda está aprendendo a utilizar os utensílios, como a faca, ou quem já tem mais tempo naquele ambiente?

A resposta é clara. E assim deve ser em casa. Repito: Enquanto pai ou mãe, você é a autoridade. E ser essa autoridade não te faz ser melhor ou pior em relação a criação de seu filho. Apenas faz com que cada um assuma e desempenhe seu papel no momento.

Vou relatar uma cena que vivenciei há uns dias atrás. Estava num shopping quando vi uma criança de cerca de 6 anos com seus pais. Ela chorava bem alto dizendo que queria comprar determinado brinquedo. Como o choro não resolveu a questão da criança, ela se jogou no chão e o pai disse que iria comprar o brinquedo se ela parasse. E foi o que a criança fez.

Alguns fatos merecem destaque no cenário descrito:

  1. O comportamento da criança para conseguir o que deseja
  2. A resposta dos pais frente a birra
  3. A criança conseguir o que queria, depois de ter feito um comportamento inadequado.

Você pode já ter vivenciado uma situação assim. Certamente, não é algo fácil, visto que pode surgir a sensação de falta de controle em relação ao filho, de vergonha ou outro sentimento frente ao julgamento que os outros farão de você enquanto pai ou mãe, dentre outras emoções.

O importante é pensar que:

  1. Os filhos observam o comportamento dos pais. E percebem, desde cedo, seus pontos fracos e fortes.
  2. “Ganhar pelo cansaço” não é algo eficaz nem a curto nem a longo prazo, pois assim, o filho aprende que o comportamento inadequado é a forma de conseguir o que se quer, seja algo material ou mesmo a atenção dos pais.
  3. Planejar é de grande valia. Por exemplo, se eu sei que a chance de meu filho passar por uma loja de brinquedos e pedir algo é grande, eu posso planejar passar por um outro corredor para evitar e/ou diminuir a chance de um comportamento inadequado acontecer.
  4. Existem regras e situações negociáveis. Mas a negociação não deve se pautar em “Se comporte bem para ganhar tal coisa”.

E você pode estar se perguntando, após ler tudo isso como fazer para diminuir os comportamentos inadequados dos filhos?

A sugestão seria reforçar os comportamentos adequados ao invés de punir aqueles que são inadequados.

Muitos autores falam sobre a utilização da extinção e não da punição.

Extinguir consiste em ir diminuindo, gradativamente, determinado comportamento. Exemplo: Elogiar quando a criança comporta-se adequadamente aumenta a chance de fazê-lo novamente.

E punir implica em aplicar uma medida para a não ocorrência do comportamento inadequado. A grande questão é que o comportamento tende a reaparecer assim que a medida punitiva terminar.

Um ponto chave na questão da extinção é o fato de que é algo gradual. Não acontece de uma hora para outra. E requer constância dos pais. Pois, ao se dar conta que determinado comportamento inadequado não faz mais efeito sobre os pais, o filho pode aumentar a intensidade desta ação, até chegar ao ponto dele não mais agir assim.

Faz sentido para você?

Acredito que esse texto é uma boa oportunidade para repensar como você enquanto pai ou mãe tem lidado com o comportamento do seu filho.

Me coloco à disposição para tirar quaisquer dúvidas que você tiver sobre esta temática.

Referência bibliográfica:

RODRIGUES, Camila & GAIATO, Mayra. Guia de sobrevivência para o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. São Paulo. Casa do Psicólogo, 2014.

Grande abraço,

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Grazielle dos Santos Barbosa de Jesus

Psicóloga Cognitivo Comportamental – CRP 05/46825
Blog: http://sobreviver.blog

Facebook @pensandosobreviver

Instagram: @psicologa.graziellejesus / @sobreoviver

Email: psi.graziellejesus@gmail.com

Orientação de Pais

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Lidia de Jesus (Arteterapeuta) e Grazielle Jesus (Psicóloga). Empenhadas em falar (e ouvir) sobre o VIVER e contribuir para a construção de novas ações que possibilitem melhorias na qualidade de vida das pessoas.

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