Sobre o que não dizemos…

A comunicação atualmente está tão moderna e, ao mesmo tempo, tão fragmentada. O que deveria nos aproximar e nos conectar às pessoas que nos cercam está, a meu ver, nos afastando cada dia mais.

São tantas as atribuições que temos que cumprir e fazer ao longo do dia que o falar sobre as pessoalidades da vida vem se tornando mais difícil.

São cada vez mais constantes os casos de pacientes que relatam o fato de não terem com quem conversar sobre a vida, sobre situações tanto complexas quanto banais. E percebo (e ouço também) quanto sofrimento este silenciar gera.

E como precisamos falar! E sentir que estamos, de fato, sendo ouvidos…

É preciso falar no que realmente importa, por mais arriscado que seja, apesar dos riscos, apesar dos obstáculos, apesar dos pesares, deve-se viver, deve-se comer, deve-se amar.

Moacyr Scliar

Scliar propõe que o falar é preciso. E acrescento, na Psicologia, acontece a transformação através da fala, da palavra. À medida em que falamos, conseguimos repensar muitas de nossas questões e, a partir daí, é possível agir em prol da transformação que muitos buscam e/ou do autoconhecimento.

Velasco (et al 2012), propõe que “através da fala, o paciente poderá expressar dúvidas, temores, fantasias, minimizando o desconhecimento e o medo que sente diante da doença”.  E complementa dizendo que através do sentir-se acolhido, o paciente começa a construir novos sentidos para o que lhe causa dor/sofrimento.

Finalizo citando o Código de Ética Profissional dos Psicólogos que prevê o seguinte:

Art. 9º – é dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional.

Creio que esta é uma das dúvidas que constantemente surgem entre os pacientes que buscam atendimento psicológico pela primeira vez. O que é dito no atendimento psicológico  é confidencial, ou seja, não pode ser revelado a outras pessoas.

sobreviver.blog
sobre não saber o que e como dizer

O que fazemos com o que estamos silenciando?

Para onde estão indo os pensamentos, as ideias que guardamos a sete chaves por não conseguir falar ou mesmo por não ter para quem falar?

 

Referências bibliográficas:

Código de ética profissional do psicólogo. Disponível em http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf

VELASCO, Karine; RIVAS, Ligia; GUAZINA, Félix Miguel. Acolhimento e escuta como prática de trabalho do psicólogo no contexto hospitalar. Disciplinarum Scientia. Série: Ciências Humanas, Santa Maria, v. 13, n. 2, p. 243-255, 2012.

 

Abraços,

graziGrazielle dos Santos Barbosa de Jesus

Psicóloga Cognitivo Comportamental – CRP 05/46825
Psicóloga, Professora, Apaixonada pela vida e pelas práticas que possibilitem a qualidade no Viver.

Autoconhecimento Sobre a Psicologia

soviver Visualizar tudo →

Lidia de Jesus (Arteterapeuta) e Grazielle Jesus (Psicóloga). Empenhadas em falar (e ouvir) sobre o VIVER e contribuir para a construção de novas ações que possibilitem melhorias na qualidade de vida das pessoas.

1 comentário Deixe um comentário

  1. Realmente, o que não conseguimos dizer? Não consigo dizer tanta coisa e , o que me incomoda é que fico pensando se tenho alguém para me ouvir, ou ainda, se tenho alguém que me ouça e ,o quê e de que forma ela me ouviria. E depois de me ouvir, o que eu ouviria? Muitas vezes, como agora, muitos conteúdos calam porque não tenho quem me ouça!
    Complicado, não!?
    Queremos te ouvir.
    Comente.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: