A ARTE DO ENCONTRO

A vida é um poema

poema complexo com rimas, todas as rimas

parece que não temos controle sobre as vírgulas, pontos, pontos finais, exclamações e tantas interrogações

Mas, vamos tecendo o nosso poema cotidianamente, percebendo ou não.

Isso não podemos negar

Os encontros fazem parte desse processo.

Lembram da música” Encontrar alguém, que me dê amor!”

Amor é o elo que une a todos, 

Amor é a energia que movimenta e conduz o nosso desejo.

O I Encontro sobre Viver teve essa temática.

Encontrar e amar > palavras tomaram vida e declararam amor

em movimento circular e contínuo.

Vejam o que o poeta sobre as palavras, e eu digo:

__Penetra no reino de tua vida e permita-se escrever como um poema.

Com a palavra ” o poetinha”

Procura da Poesia

Carlos Drummond de Andrade

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
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Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

tem mil faces secretas sob a face neutra

e te pergunta, sem interesse pela resposta,

pobre ou terrível, que lhe deres:

Trouxeste a chave?…


Carlos Drummond de Andrade



7C052F7D-ADF2-440B-9303-6E434D8BDA0A  Lidia de Jesus

Arteterapeuta Junguiana e Pesquisadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Encantada com a vida – @sobre Viver – e os novos  projetos. Apaixonada  por criatividade  e pela arte.  Penso que a arte é  fator de sensibilização  e transformação. Trabalho, também, com Círculos de mulheres e o feminino integrado em si  mesmo e no mundo.  Conectando pessoas, ouvindo-as e possibilitando a criação de novas histórias…  Sinto que encontrei o meu lugar no mundo. Deus é bom todo o tempo.

 

Encontro sobre Viver

soviver Visualizar tudo →

Lidia de Jesus (Arteterapeuta) e Grazielle Jesus (Psicóloga). Empenhadas em falar (e ouvir) sobre o VIVER e contribuir para a construção de novas ações que possibilitem melhorias na qualidade de vida das pessoas.

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