“Engole o choro, menino… homem não chora!”

Quem se lembra de frases ouvidas e repetidas por familiares ou pessoas muito próximas ao longo da infância e durante grande parte da vida?

Poderia citar outras frases como

“Casamento não traz felicidade”

ou 

“Você só será feliz se não estiver sozinho”

Muitas pessoas poderiam citar, ainda,

“Seu primeiro casamento deve ser o trabalho”

ou 

“Ninguém da sua família é inteligente.

Então, não precisa se esforçar muito, pois é difícil mudar, ser diferente dos demais!”

São tantas ideias difundidas/passadas ao longo de anos, que você só consegue se dar conta ao pensar um pouco mais profundamente sobre o assunto. Elas, de uma forma ou de outra, costumam penetrar em nossas mentes, criando raízes profundas e passando a condicionar muitas de nossas escolhas, de nossos modos de agir, pensar e de ver o mundo que nos cerca. Se apresentam como esquemas.

Explicando um pouco do que são esquemas:

“Os esquemas, definidos como estruturas cognitivas que organizam e processam as informações que chegam ao indivíduo, são propostos como representações dos padrões de pensamento adquiridos no início do desenvolvimento do indivíduo” (Dobson & Dozois, 2006, p. 26).

Jeffrey Young propõe que um esquema é um padrão extremamente estável e duradouro durante a infância, que é aperfeiçoado durante toda a vida do indivíduo. Ele acrescenta que “nós vemos o mundo através dos nossos esquemas” e, assim, aceitamos, sem questionar, sentimentos e crenças que são gerados por eles.

Em outras palavras, os esquemas funcionariam como filtros

que organizam e assimilam o que recebemos, evitando tudo o que não se adeque a ele.

A grande questão desta postagem, consiste em demonstrar que, independentemente de nossos esquemas, é possível modificar os nossos pensamentos e agir de maneira diferente. Vale lembrar que o que é passado de pai para filho não é algo ruim mas, em geral, caracteriza-se como o  eco de ideias e coisas aprendidas, compreendidas e passadas como verdades absolutas pelos mesmos.

Com o autoconhecimento, é possível acessar questões internas e modificá-las, se estiverem gerando sofrimento. Porém, vale a pena lembrar que conhecer-se não ocorre num passe de mágica, demanda tempo, é um processo.

Ah, pensei nesta temática ao lembrar de um livro que tinha lido há uns 4 anos atrás,

intitulado O menino Nito, de Sonia Rosa.

Quem tiver a oportunidade de ler, comenta aqui nesta postagem e diga o que achou.

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Referências bibliográficas:

DOBSON, K. S. & DOZOIS, D. J. A.Fundamentos históricos e filosóficos das terapias cognitivo-comportamentais. Em: K. S. Dobson (Org.). Manual de terapias cognitivo-comportamentais – 2a ed.(pp. 17-44). Porto Alegre: Artmed, 2006

YOUNG, Jeffrey. Terapia cognitiva para transtornos de personalidade: uma abordagem focada em esquemas. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese – 3a ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.

 

graziGrazielle dos Santos Barbosa de Jesus

Psicóloga Cognitivo Comportamental – CRP 05/46825
Psicóloga, Professora, Apaixonada pela vida e pelas práticas que possibilitem a qualidade no viver.

Autoconhecimento

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Lidia de Jesus (Arteterapeuta) e Grazielle Jesus (Psicóloga). Empenhadas em falar (e ouvir) sobre o VIVER e contribuir para a construção de novas ações que possibilitem melhorias na qualidade de vida das pessoas.

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